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Henry Cartier-Bresson & Richard Avedon



Henry Cartier-Bresson
Henry Cartier-Bresson
Richard Avedon
Richard Avedon


O jornal artes: não poderia deixar passar em branco o desaparecimento de dois fotógrafos que marcaram o século XX. Henry Cartier-Bresson e Richard Avedon.

Revolucionaram o conceito da fotografia. São referências obrigatórias para a História da Fotografia.


Henry Cartier-Bresson foi um dos fundadores do fotojornalismo moderno. Era chamado por alguns de "o olho do século". Suas fotografias foram reproduzidas no mundo inteiro.

No dia dois de agosto, numa quarta feira, Henry Cartier-Bresson morreu no Sul da França. Aos 95 anos.

Richard Avedon ficou conhecido como mestre do retrato. Influenciou sua geração. Foi responsável por criar um novo conceito de fotografia de moda.

No dia primeiro de outubro, numa sexta-feira, morreu Richard Avedon, na cidade de San Antonio, Texas. Aos 81 anos.

A fotografia perdeu dois fotógrafos que são considerados não só os percussores da fotografia moderna, mas referência para várias gerações. Leia a seguir um breve histórico da vida destes dois artistas. E veja suas fotos.



Henry Cartier-Bresson

"A fotografia por si só não me interessa, mas a reportagem sim, a comunicação entre o mundo e o homem com este instrumento maravilhoso do tamanho da mão que nos faz passar desapercebidos. E assim participamos. É uma dança entende? É uma grande alegria fotografar assim".

Henry Cartier-Bresson



Simone de Beauvoir - 1947 (Henry Cartier-Bresson)
Simone de Beauvoir - 1947 (Henry Cartier-Bresson)


Henry Cartier-Bresson nasceu em 1908, na França. Filho de família urbana. Na juventude teve aulas de desenho com importantes pintores da época. Ele queria ser pintor. A pintura foi sua segunda paixão.

Bresson comparou a fotografia com o desenho. Para ele desenhar era meditar. E a fotografia era como um tiro. No desenho pode-se apagar e fazer outro. Não se luta contra o tempo. Por isso a meditação.

Na fotografia existe a angústia de estar presente. O "momento decisivo". O lugar certo na hora certa. Mas uma angústia que ele definiu como calma.



Martin Luther King - 1961 (Henry Cartier-Bresson)
Martin Luther King - 1961 (Henry Cartier-Bresson)


Bresson fez da fotografia suas pinturas. Prefiriu trabalhar com a imagem em preto e branco. Adotou sempre o mesmo equipamento. Uma Leica, máquina alemã que cabia na palma de sua mão. Equipamento silencioso.

Um homem que sempre optou pela discrição. Inclusive na vestimenta. Sempre estava com uma capa escura.

"Fotografava como um gato, sem incomodar". Assim era Bresson. Em todo seu trabalho ele procurava captar a imagem no instante decisivo.



Gato atento - (Henry Cartier-Bresson)
Gato atento - (Henry Cartier-Bresson)


Foi o primeiro fotógrafo a expor seu trabalho em um museu. No Louvre, Paris. Em 1946, tornou-se fotógrafo profissional. No ano seguinte foi co-fundador da Agência Magnum Photos, de fotojornalismo.

"Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração".

Bresson visitou 23 países. Fotografou Paris, China, Cuba e Índia. Acompanhou a Guerra Civil Espanhola, a ação de libertação de Paris, tomada pelos nazistas, na segunda Guerra Mundial.



Chanel - 1964 (Henry Cartier-Bresson)
Chanel - 1964 (Henry Cartier-Bresson)


A queda de Pequim em 1949. O funeral de Mahatma Gandhi. Foi o primeiro fotógrafo ocidental a ter permissão de fotografar a URSS em 1954. Um ano depois da morte de Joseph Stálin. Em 1966 deixou a Magnum Photos. Viveu em Paris com sua segunda esposa e um filho adotivo. A partir de 1973 passou a fotografar só por prazer.

Resolveu aposentar a fotografia e dedicar-se inteiramente ao desenho, sua segunda paixão.


Richard Avedon

"Como perseguir a luz natural se vivemos entre Hiltons, aeroportos e coquetéis?".

Richard Avedon



Atriz Nastassja Kinski - 1981 (Richard Avedon)
Atriz Nastassja Kinski - 1981 (Richard Avedon)


Richard Avedon estava fotografando para a revista "The New Yorker" quando se sentiu mal. Teve hemorragia cerebral. Ficou internado por alguns dias e não resistiu. Faleceu no dia primeiro de outubro.

Avedon nasceu em 1923, em Nova York. Alexey Brodovitch, diretor de arte da revista "Harper's Baazar", foi o responsável por levar Avedon para o mundo da moda. Trabalharam juntos por duas décadas.

Avedon ficou conhecido por mudar o conceito da fotografia de moda. Ele pode ser considerado como divisor na história da fotografia de moda.

Suas fotografias questionaram o papel do fotógrafo e do modelo e romperam de vez com o conceito de fotografia de moda. As poses estabelecidas e a própria relação do fotógrafo e do modelo foram questionadas.



Calendário Pirelli 1977 (Richard Avedon)
Calendário Pirelli 1977 (Richard Avedon)


O fotógrafo passou a dirigir o modelo. A criar através da foto, um acontecimento. Avedon foi responsável por tirar o modelo dos estúdios e levá-lo para as ruas, praças, jardins e cafés de Paris.

"Quando estou fazendo um portrait, acho até ofensivo usar uma iluminação sofisticada e abusar dos retoques. Eu acho que a própria pessoa pode expressar sua beleza. Se a pessoa está com a barba por fazer ou tem pequenas pintas no rosto, eu não quero esconder isso, nem tentar fazê-lo ficar mais atraente".

Avedon viajou por dezessete Estados fotografando os Estados Unidos. Fez um ensaio sobre os loucos no Lousiana State Hospital.

Sua passagem pela Europa rendeu alguns trabalhos importantes. Um deles foi um ensaio sobre meninos de rua, na Itália. Também fotografou as vítimas do napalm, na Guerra do Vietnã. Em 1989 registrou a queda do Muro de Berlim.

Fez retratos de artistas, músicos e políticos de sua época. Charles Chaplin, Ezra Pound, Allen Ginsberg, Audrey Hepburn e Rudolf Nureyev.



Rudolf Nureyev (Richard Avedon)
Rudolf Nureyev (Richard Avedon)


Seu retrato de Marilyn Monroe, de 1957, foi bastante divulgado. É uma exceção. Mostra a atriz com um olhar triste.

Em 2002, o jornal "The New York Times" fez uma reportagem e o intitulou "o fotógrafo mais famoso do mundo".

Todos que foram fotografados por Avedon eram famosos. Muitos fotógrafos tentaram imitar seu jeito de fotografar conhecido como "estilo Avedon".

"Minhas fotografias não vão além da superfície. Elas são leituras do que está na superfície. Eu tenho grande fé em superfícies. Uma boa superfície está cheia de pistas".



Tereza Heinz Kerry 2004(Richard Avedon)
Tereza Heinz Kerry 2004(Richard Avedon)


Em 1992 Avedon começou a trabalhar para a revista "The New Yorker". Fotografou a senadora Hillary Clinton, os escritores, Saul Bellow, Tom Morrison e o candidato à presidência dos EUA, John Kerry. O jornal "USA Today" fez o seguinte comentário a respeito da contratação de Avedon para a revista. Ter Avedon como fotógrafo contratado era como chamar Michelangelo para pintar uma casa.

"Richard Avedon - Portraits" foi o título de sua exposição em 2002, no Metropolitan Museum of Art, em Nova York.

Seu último trabalho foi fotografar Teresa Heinz Kerry. Mulher do senador John Kerry, candidato à presidência dos Estados Unidos, para editorial da "The New Yorker" sobre as eleições americanas."

A frase pode parecer clichê, mas sem Bresson e Avedon a fotografia ficou mais pobre, triste.



São Paulo, 18 de outubro de 2004 Rita Feital



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