© Ilustração: R. Cayre Picasso Acrílica sobre tela 70 x 100 cm
São Paulo 2002 a partir de foto de David Douglas Duncan 1956
Picasso faz falta1973 foi um ano terrível. Pablo Picasso, Pablo Neruda, Pablo Casals se foram. Três Pablo que passaram a vida pintando, escrevendo, tocando. Dos três aproximei-me mais de Picasso e de Neruda. Dos dois, de Picasso.
Cheguei tão perto que em 1996 escrevi um livro, Na Cama com Picasso, publicado em 1997, pela editoras artes:digital. Para escrevê-lo fiz uma pesquisa sobre as mulheres que participaram da vida do pintor.
Das que deixaram marcas, foram importantes, contei sete: Fernande, Éva, Olga, Marie Thérèze, Dora Maar, Françoise Gilot e Jacqueline Roque. Acredito que haja outras. Das sete, apenas Françoise Gilot está viva.
Autora de Minha vida com Picasso publicado nos Estados Unidos em 1964 e na França em 65, e Matisse e Picasso em 1990, está hoje com 81 anos. Lúcida, foi a primeira conferencista a falar sobre Matisse e Picasso no ciclo de conferências que faz parte da grande exposição Matisse Picasso aberta no Grand Palais em Paris em 22 de setembro com encerramento em 6 de janeiro de 2003.
Nessa exposição organizada por curadores de museus, o de Picasso de Barcelona, do Beaubourg e do Arte Moderna de Paris, da Tate de Londres, do de Arte Moderna de New York, não há lugar para exibicionismo e manifestações húbricas. Vaidade e soberbia não têm lugar. Coisa de profissional.
Do confronto, do cara a cara entre Matisse e Picasso, a meu ver Picasso fala mais alto. É claro que os franceses, chauvinistas como são, jamais admitirão isso. Mas não é possível tapar o sol com a peneira.
Não é preciso dizer que os curadores não tiveram a intenção de estabelecer leituras analíticas qualitativas entre os dois. Mas. Isso acontece quando se tem a possibilidade de ver as obras lado a lado, separadas por temas e cronologia.
Do ponto de vista didático, Matisse Picasso é uma aula de História da Arte única. Os texto e narrações que acompanham as obras, objetivos e simples, facilitam a compreensão, a leitura.
Voltando a Picasso, dia 8 de abril, daqui a 5 meses, fará 30 anos que Picasso morreu. Naquela manhã de domingo, Jacqueline, desesperada e inconformada com a morte inevitável, repetia olhando Picasso morrer: "Ele não tem o direito de fazer isso comigo! Ele não pode me deixar!!!". Dramático. Patético. Nelson Rodrigues do melhor.
Quase 30 anos depois da morte de Picasso não vi ninguém ocupar seu lugar. Li há poucos dias que o curador de Arte Contemporânea da China, da exposição Tesouros da China, Jean-Marie Decrop acredita que o "próximo Picasso virá da China". Bobagem! Deliro de francês nos trópicos ou caipirinhas em excesso. Não dá para levar a sério. Principalmente levando-se em conta o que a exposição mostrou.
É, Picasso faz falta.
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