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Maurice Béjart em preparação para a coreografia
Maurice Béjart em preparação para a coreografia "Best", em maio de 2005 (foto François Paolini)


Béjart. O último passo do mestre!


Gênio não morre nunca, apesar deste ter manifestado o desejo de não querer ser perpetuado após sua morte. Mas não há como voltar no tempo e esquecer as revoluções magníficas que Maurice Béjart fez na arte chamada Ballet, mas que sempre englobou todas as outras.

Genialmente inspirado, Béjart criou mais de 200 coreografias, todas exprimindo sua paixão de viajar e seu gosto pela mestiçagem. Suas criações, por vezes desmesuradas, misturavam gêneros - cinema, teatro, ópera - e atravessavam diversas épocas, estilos e civilizações.

Apesar de ter “brigado” com a França no início de sua carreira, nunca deixou de apresentar seus Ballets em seu país natal. Mas o rancor nunca cessou. E foi na França, em Paris, que vi o Ballet do Século XX pela primeira vez, em 1972. Voltei a vê-lo em 1976. Com os aplausos incessantes, ele sempre era carregado ao palco por seus bailarinos no final dos espetáculos e seus olhos azuis brilhavam. Tive a honra de participar de uma coletiva de imprensa concedida por ele nesta ocasião, através de meu amigo Jean Cournarie, artista plástico e amigo de alguns bailarinos da época.

Maurice Béjart no palco
Maurice Béjart ensaiando, no palco (foto François Paolini)

Não tenho palavras para descrever sua genialidade. Sinto-me muito pequena para isso. Sou só uma amante de sua obra, nada mais. E continuei a vê-lo em 1979 com ingresso concedido pelo editor deste Site, em 1984, 1989 e, a última vez, em 2003, novamente no Teatro Municipal de São Paulo, já com seu rosto desgastado, mas seus passos firmes em direção aos aplausos de uma platéia enlouquecida. A coreografia era Madre Teresa e as Crianças do Mundo, com Márcia Haydée no papel-título. Explendoroso!!!

Lembro-me que em 1979, o Bolero deveria ter sido dançado por Jorge Donn, seu parceiro, mas naquela noite ele literalmente “escapou” para a Argentina, seu país de nascença, e teve de ser substituído na última hora. Foi um "buxixo" no Teatro!

Béjart gostava muito da Bélgica, país onde havia criado, entre 1960 e 1970, suas melhores obras, segundo ele próprio. Chegou a comentar com um amigo seu que "não queria, após sua morte, que a palavra 'francês' e 'coreógrafo' fossem colocadas juntas". Coisas de Béjart. Ele podia fazer escolhas!

Ensaiando sua Companhia
Ensaindo sua Companhia (foto François Paolini)

Sua jornada espiritual foi intensa e sempre retratada em suas criações. Béjart converteu-se ao Islã xiita em 1973, mas nunca deixou de ser católico, ou adepto fervoroso do budismo e outros caminhos espirituais. “Sempre achei que a dança estava ligada à divindade, que o sagrado se misturava ao movimento da dança, um universo trascendente que recorre ao inconsciente, diria, inclusive, às forças obscuras", dizia ele.

Maurice Béjart, (Maurice-Jean Berger), nasceu em Marselha, em 1º de janeiro de 1927. Em 1953 fundou o Les Ballets de l'Etoile, mais tarde rebatizado de Ballet-Théâtre de Paris. Com o lançamento de seu primeiro grande sucesso, "Symphonie pour un homme seul" (1955), foi convidado pelo Théâtre Royal de la Monnaie, em Bruxelas, a criar um balé para seu corpo de baile: assim nasceu sua obra prima, "Le Sacre du printemps", em 1959. Em Bruxelas, Bejárt fundou o Ballet do Século XX, que por três décadas maravilhou o mundo da dança, até ser transformado, em 1987, no Béjart Ballet Lausanne.

Ensaio com jeito de Adeus!
Ensaio com jeito de Adeus! (foto François Paolini)

Teve orgulho de ter tirado a dança das óperas para implantá-la nos ginásios de esportes, nos Jogos Olímpicos, nos Festivais de arte.

Verdadeiro mago, Maurice Béjart sempre foi consciente da não existência da idade para dançar. Trabalhou até no hospital. Aos 80 anos não resistiu às amarguras de seus males físicos.

Deixa sua companhia com 35 bailarinos tristes e maravilhosamente preparados para seguir os passos nas estrelas do mestre Béjart!

À bientôt Béjart! Merci.

Sônia Skroski
23.11.2007 – 02h17


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