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Refugiadas de Bagdá caminham ao lado de soldados americanos por estrada de Iraque

Refugiadas de Bagdá caminham ao lado de soldados americanos por estrada de Iraque.
(Oleg Popov/Reuters)





Exército Brancaglione


Hoje, segunda-feira, 7 de abril, cem tanques norte-americanos circularam pelo centro de Bagdá. Foram recebidos com rajadas de metralhadora, granadas, mísseis e fogo de artilharia.

Os teóricos do Pentágono, que previam bagdalis de braços abertos, sorridentes e felizes por "serem libertos", ainda não compreenderam o que deu errado.

Também não entenderam como o Iraque, mantido a míngua, graças ao rígido embargo, desde a derrota em 91, resiste.

A desproporção entre o poderio militar das forças anglo-americanas e as do Iraque é simplesmente indescritível. Pode-se dizer que os Estados Unidos têm 250.000 soldados no Iraque e o Reino Unido, 45.000. 295.000 homens. Saddam, 449.000. À primeira vista os números iraquianos impressionam. Mas o Iraque não tem material bélico suficiente. Muito menos para repor. Os Estados Unidos têm para dar e vender.

Quando se vê a parafernália de combate de um soldado americano ou inglês, capacete, colete à prova de balas, sistema modular leve de carregamento de equipamento, roupa protetora contra guerra química e biológica, óculos protetores e equipamento de visão noturna, fuzil M16-A2, joelheira, coturnos, e a dos iraquianos, qualquer comparação não tem sentido.



Soldados iraquianos acenam para fotógrafo em rua de Bagdá

Soldados iraquianos acenam para fotógrafo em rua de Bagdá
(Tyler Hicks/The New York Times)


Os materiais norte-americanos utilizados são todos de última geração. Leves, resistentes, práticos, funcionais. Fibra de kevlar, para os capacetes, cerâmica e fibra de kevlar, para os coletes, malha de polietileno de alta densidade com forro de poliéster, para as joelheiras. E assim vai.

E os iraquianos? Usam capacetes de aço tão resistentes quanto os da guerra de 14. Ou seja, não muito. Ou boinas. Camisas e calças civis ou uniformes, de brim verde oliva ou preto. Só. Fuzis russos do tipo AK-47, AKM ou AK-74. Duráveis, funcionais, eficientes.

Os tanques das brigadas mecanizadas e blindadas, T- 72 e T-74 também são russos. Confiáveis. Como são russos os mísseis guiados que destruíram os pesados tanques Abrams e os ágeis Bradley norte-americanos, surpreendendo e irritando o Pentágono, que desconhecia que o Iraque dispunha dessas armas.

As forças iraquianas têm demonstrado que, com todas as limitações impostas por 12 anos de embargo, com toda precariedade, com seu jeito brancaglione de ser, é um osso duro de roer.

Com isso, os teóricos do Pentágono não contavam. Muito menos Mr Bush.



Carlos von Schmidt
7 de abril de 2003 21h30


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